quinta-feira, 19 de julho de 2012

Nossa Gratidão e a Sétima Tradição de A.A.


NOSSA GRATIDÃO E A SÉTIMA TRADIÇÃO DE A.A

Lendo nossa Literatura, descobri que havia "um lugar em A.A. onde espiritualidade e dinheiro podiam se misturar: a sacola."
Quero iniciar agradecendo ao Poder Superior, por estar vivo e a Alcoólicos Anônimos por estar sóbrio. Quando conheci Alcoólicos Anônimos era muito jovem ainda e passei alguns longos meses me afastando e voltando para o mundo do alcoolismo. Ao retornar para A.A., de onde nunca deveria ter saído, ouvia muitos companheiros em suas mensagens falarem de seus prejuízos financeiros no mundo do alcoolismo, e me identificava com eles, pois tínhamos passado os mesmos problemas.
Ouvi dizerem que quando bebiam, gastavam o que tinham e o que não tinham, deixando muitas e muitas vezes as rodadas de bebidas fiadas.Comigo não era diferente; em atividade alcoólica, gostava de ser o centro das atenções e dizia que todos eram meus amigos, sem compreender porque me davam a atenção. Entendi depois o porquê: eu pagava tudo e ainda me chamavam pelas costas de otário.
Quando conheci Alcoólicos Anônimos, ouvia os companheiros que relatavam suas derrotas falarem que hoje eram gratos a Alcoólicos Anônimos e que estavam felizes e que até tinham se recuperado financeiramente. Por esses e outros motivos, eram gratos à Irmandade e eu também, até nesse ponto não era diferente dos meus companheiros, era grato a A.A., que devolvera-me aquilo que tinha perdido, tanto como no campo material como no campo espiritual.
Mas, vamos ver essa minha gratidão como era na prática. Sabemos que muitos falam e praticam da boca para fora. Eu não era diferente; falava da boca para fora e não do coração para fora; falava o que ouvia outros falarem sem entender a profundidade da palavra gratidão e não compreendia a máxima importância que é nossa Sétima Tradição; 
só mais tarde lendo nossa literatura, descobri onde é que se mistura espiritual idade e dinheiro em A.A. Via companheiros servidores do Grupo comentarem das dificuldades que esse grupo passava, como por exemplo: compra de literatura, fazer o plano 60, 25, 15, pagar o aluguel de sua sede, mas todos diziam e liam: somos auto-suficientes graças às nossas próprias contribuições...
Eu não era diferente, quando ouvia falar em dinheiro ficava resmungando, criticando; o grupo tendo o cafezinho ou chá, é o suficiente para minha recuperação. Naquele momento, só estava pensando em mim e não nos outros, e ato de egoísmo nada tem a ver com gratidão.
Lembro-me de um companheiro que saía de um bairro para outro distante para abrir seu Grupo, um daqueles servidores que não mediam distância para executar suas tarefas. Ele era RI do grupo, hoje extinto. Eu o criticava só porque ele viajava para a Intergrupal, hoje ESL; dizia que ele estava gastando dinheiro sem precisão; que tudo isso, órgãos de serviços e outros, era besteira; dinheiro que não era meu, porque eu não cooperava na Sétima Tradição, mas dizia que era nosso. E continuava afirmando: - sou grato.
Tudo começou a mudar quando comecei a compartilhar os trabalhos do nosso Grupo base. Como servidor, fui Secretário, Coordenador, Tesoureiro, e como tesoureiro, senti o que meus bons companheiros passaram, sofrendo crítica, quando o assunto era dinheiro, comigo não foi diferente, pior ainda.
Comecei fazendo cobranças que antes criticava; queria comprar isso e aquilo; gastava desordenadamente, foi quando um companheiro notou o que outros não haviam notado: eu era um "Gastador Compulsivo" e com isso aprendi que deveria agir de acordo com a necessidade do grupo.
Depois fui escolhido para ser RSG. Começavam a aumentar as minhas responsabilidades, e agora? Antes não aceitava companheiros que viajavam; não aceitava o Plano 60, 25, 
15, Relatórios Anuais, Revista Vivência, Órgãos de Serviços, e agora? Comecei do princípio: lendo as Tradições e o Manual de Serviços. Avaliei a importância daquele encargo que me fora confiado.
Foi quando minha gratidão começou a aflorar, a sair de mim, sair do coração. Com três anos na Irmandade, fui escolhido Secretário do Distrito e comecei a compartilhar com todos juntos: MCD, Tesoureiro, RSGs e descobri a verdadeira "gratidão". Gratidão com o grupo, com o Distrito e com nossa Irmandade como um todo. Senti de perto o que os outros companheiros servidores passaram; vi a dificuldade que o MCD tem para convencer os Grupos a fazer o plano, adquirir o Relatório Anual, a Revista Vivência; a dificuldade que o nosso tesoureiro tem em manter uma pequena reserva prudentemente.
Tudo isso, antes eu não aceitava, pelo contrário: resmungava. Hoje, caros companheiros leitores da Vivência, estou experimentando pela primeira vez a verdadeira "gratidão".
Experimentem vocês, também; compartilhem como compartilhei e, sejam felizes como estou sendo. Hoje nós, do Distrito, estamos gratificados com os trabalhos que estamos 
desenvolvendo. A maioria dos grupos assinou a Revista Vivência e mais da metade adquiriu o Relatório Anual.
Todos contribuem com o Plano 60, 25 e 15, abrimos nossa Caixa Postal, o MCD está fazendo seu trabalho junto aos nossos Órgãos de Serviços.
Quero com essa minha experiência mostrar que devemos ser gratos à nossa Irmandade, aos nossos Grupos, ao Distrito, aos Escritórios, à JUNAAB e à Conferência, pois todos dependem de nós e mais ainda: aqueles que estão para chegar.
Quantos de nós, quando bebíamos pagávamos rodadas e mais rodadas de bebidas para os outros?
Pois bem, se cada um de nós colocar na sacola a quantia equivalente ao preço de uma cerveja, ou outra bebida barata, já é um grande passo que estamos dando.
Essa experiência aprendi, passei para meus companheiros do nosso Grupo base, e conseguimos tirar o Grupo de uma escola pública. Hoje pagamos nosso próprio aluguel, contribuímos com os Órgãos de Serviços e  estamos conduzindo bem os trabalhos da Irmandade como um todo.
Sou feliz e grato a todos os meus companheiros e a Alcoólicos Anônimos.

Antonio Cícero/Pesqueira/PE

Vivência n° 94 - Mar/Abr.2005

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