segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar


NOSSO BEM-ESTAR COMUM DEVE ESTAR EM PRIMEIRO LUGAR ; A REABILITAÇÃO INDIVIDUAL DEPENDE DA UNIDADE DE A. A.

1ª. Tradição: " O bem-estar comum é a base de sustentação."

Muito se fala em A. A. sobre crescimento espiritual, mas pouco se fala de como conseguir este crescimento.
Para mim, não há crescimento espiritual sozinho, o crescimento se adquire através do outro, da maneira como vejo e aceito o outro.
A prática dos Passos me ajuda a aceitar a mim mesmo do jeito que sou e a partir daí começo a aceitar que o outro também tem o direito de ser o outro, de ser diferente, de ser ele.
Uma coisa que sempre me acompanhou desde minha chegada em A. A. foi a fé inabalável em seu programa; sem conhecer os princípios eu já tinha convicção que eles poderiam resolver qualquer problema.
A história de Bill reforçou essa convicção. À medida que fui tendo algum entendimento sobre os Passos, mais maravilhado eu ficava. Passei bom tempo falando só em Passos.
Quando ouvia algo sobre as Tradições ou lia, ficava decepcionado: - que coisa mais sem graça e essa desmotivação era forçada pelo chavão: "Tradição é para funcionamento de Grupos", nada haver comigo, portanto.

Nota-se, de um modo geral, a grande dificuldade que tem o membro de A. A. com a prática das Tradições, chega a ser até um preconceito.
Talvez por nunca recebermos a informação correta sobre o significado dos princípios de A. A. quando chegamos ao Grupo pela primeira vez.
Eu, por exemplo, quando cheguei recebi a informação de que aqueles membros dos órgãos de serviço que falavam de Tradições estavam acabando com o A. A. e como eu poderia aceitar aqueles companheiros e o que eles falavam se eles estavam querendo acabar com aquilo que estava salvando a minha vida? Coisa mais absurda!
Mas com o passar do tempo, enquanto refletia sobre minha vida, despertei para uma palavrinha que mudou todo o rumo de minha história: a palavra GRUPO.
De repente percebi que minha vida era formada por grupos: o grupo de minha casa (minha família); o grupo do meu local de trabalho; o grupo dos colegas de futebol, e tantos outros grupos.
Veio então o seguinte raciocínio: se as Tradições são para o funcionamento de Grupos de A. A. vão servir também para os outros grupos nos quais estou inserido e comecei a buscar um entendimento melhor das nossas Tradições.
Logo na primeira tradição aparecia uma coisa nova para mim: bem-estar comum. Eu nunca havia pensado nisso, aliás, eu nunca havia pensado no outro. O egocentrismo, a vida centrada em mim mesmo, era meu modelo de vida.
Então, logo no seu início , as Tradições começam a falar que sem levar em consideração o outro o grupo não irá em frente e para que isso aconteça é necessário que o bem-estar comum venha em primeiro lugar. Mas o que vem a ser esse bem-estar comum?
Toda coletividade, seja ela sociedade ou comunidade tem uma missão peculiar para o desempenho da qual existe, missão que lhe confere sua marca, sua característica e princípio formal e que, por assim dizer, é a sua alma.
Tal missão deve consistir evidentemente num bem (ou conjunto de bens) que deve ser conseguido mediante a atividade do ente coletivo (grupo) e de maneira que não só redunde em benefício deste ente enquanto tal (o grupo), como também beneficie, em última instância, a todos os seus membros.
Este bem (ou conjunto de bens) recebe o nome de "bonum commune", "bem comum". Nele se verifica uma relação recíproca: toda perfeição do conjunto significa um proveito para os membros e vice-versa, aumentando e consolidando- se o aperfeiçoamento destes, aumenta a capacidade operativa do conjunto...
Interessante esse conceito e muito diferente de minha percepção até então.
Quer dizer que o grupo é o somatório de suas partes e se essas crescem o grupo no seu todo cresce. E se a missão dos grupos em A. A. e de A. A. em seu todo é assegurar a sobriedade de seus membros e transmitir a mensagem àqueles que dela necessitam, logo a garantia de manutenção desse bem comum passa necessariamente pelo bem-estar comum de seus membros.
A manutenção, a busca constante desse bem-estar comum, bem estar do grupo, passa a ser o grande desafio a ser enfrentado por todos os grupos. Comecei então a entender o verdadeiro significado de "o bem-estar comum deve estar em primeiro lugar; tenho que abrir mão dos meus anseios e minhas vontades sempre que elas ameaçam o bem-estar do todo".
Fácil? Não. Muito difícil. Como resolver o problema da autoridade? Quem pode ser membro? Até onde o grupo pode ir? E quanto à propriedade e sustentação? Essa e várias outras questões ameaçam constantemente o bem comum do grupo (a espiritualidade) e quando o bem comum do grupo está sob ameaça o indivíduo corre sérios riscos.
Aí sim, comecei a perceber que de nada adiantaria eu tentar colocar a minha personalidade acima dos princípios do grupo, pois o primeiro grande ameaçado seria eu. Logo, eu teria que me contentar em calar os meus anseios tão acalentados pela minha personalidade distorcida em benefício do bem-estar do grupo.
E quando consigo fazer assim começo a perceber que mudanças incríveis acontecem em mim e que o grande beneficiado por colocar o bem-estar do grupo em primeiro lugar sou eu mesmo.
A minha vida é feita de relações com outras pessoas e quando começo a aprender a conviver com as diferenças de cada um dentro de um grupo de A. A. passo a entender que a prática desses princípios em outros grupos de minha vida (família, empresa, etc.) pode me levar ao crescimento espiritual tão falado em A. A.
Se a prática dos Passos me ensina a viver comigo mesmo e meus monstros interiores, a prática das Tradições me ensina a conviver com as pessoas e aceitar as suas diferenças e através disso colocar o coletivo em primeiro lugar e me deixando com meus anseios num segundo plano e sabendo que esse estar em segundo plano não é nenhum demérito, mas acima de tudo desenvolver um tipo de humildade que me faz entender que o todo é mais importante que suas partes e que para eu crescer eu preciso do todo, sozinho nada sou.
Eu não sou o outro, o outro não sou eu, mas somos um grupo, enquanto somos capazes de diferencialmente, eu ser eu vivendo com você; você ser você, vivendo comigo... isso é espiritualidade!
Que maravilhas podem fazer os princípios de A. A.!

(Fonte: Revista Vivência Nº 123 – Jan/Fev-2.010 /Antônio)

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